Conhecer as regras gramaticais de um idioma é importante, mas conseguir utilizá-lo para conversar, participar de uma entrevista de emprego ou trabalhar com equipes internacionais exige algo além. É preciso transformar o conhecimento em prática. Essa foi a mensagem central da palestra de Rubens Queiroz de Almeida, educador, escritor, palestrante e criador do projeto Aprendendo Inglês, que encerrou o primeiro dia do Data Science Summit Brasil 2026.
Com mais de três décadas dedicadas à educação, à tecnologia e ao compartilhamento de conhecimento, Rubens defende que aprender inglês deve estar conectado a objetivos concretos. Para quem busca oportunidades profissionais no exterior, pretende trabalhar para empresas estrangeiras ou deseja participar de processos seletivos globais, o idioma precisa deixar de ser apenas uma disciplina de estudo e se tornar uma ferramenta de comunicação.
Um método para cada objetivo
Segundo o palestrante, não existe uma única estratégia capaz de atender às necessidades de todos os estudantes. Embora as escolas de idiomas geralmente trabalhem com métodos estruturados, o aprendizado pode ser mais eficiente quando considera as necessidades, os interesses e os objetivos de cada pessoa.
A motivação tem papel fundamental nesse processo. Por isso, Rubens recomendou associar o estudo a temas e atividades que despertem interesse, além de estabelecer metas claras para acompanhar a evolução.
Ele também chamou a atenção para a necessidade de desenvolver diferentes habilidades. Apenas ler em inglês não é suficiente para quem precisa participar de reuniões, compreender conversas ou se expressar com segurança em situações profissionais. É necessário ampliar gradualmente o contato com o idioma e ajustar as estratégias sempre que os resultados indicarem essa necessidade.
Pequenas práticas, grandes avanços
Um dos pontos destacados foi a importância da regularidade. Em vez de concentrar muitas horas de estudo em um único dia, Rubens recomenda dedicar um período diário ao inglês. A continuidade favorece a consolidação do conhecimento e permite incorporar o idioma à rotina.
Essa orientação está relacionada à prática da repetição espaçada, estratégia de aprendizagem que consiste em revisar conteúdos em intervalos de tempo, em vez de tentar memorizar tudo de uma só vez. Ao retomar uma informação depois de determinado período, o estudante exercita a recuperação da memória e fortalece a retenção do que aprendeu.
O palestrante apresentou uma metodologia organizada em 26 etapas de aprendizagem, com mentorias e possibilidade de mudar a rota conforme as necessidades identificadas. A proposta considera que o progresso não depende apenas de seguir um programa, mas também de avaliar o que funciona para cada estudante e fazer os ajustes necessários.
Outro aspecto importante é tornar o aprendizado uma experiência prazerosa. Incorporar o inglês a leituras, vídeos e assuntos de interesse ajuda a manter a motivação e cria oportunidades de contato com a língua para além das aulas tradicionais.
Aprender a língua antes de decorar regras
Rubens também propôs uma mudança na maneira de estudar gramática. Em vez de começar pelas regras e tentar aplicá-las posteriormente, a orientação é aprender a gramática a partir do contato com a própria língua.
A leitura, nesse contexto, ocupa um lugar central. Ao ler textos em inglês, o estudante encontra palavras, expressões e estruturas gramaticais em situações reais, compreendendo progressivamente como o idioma funciona.
O palestrante também recomendou evitar o uso constante do dicionário durante a leitura. A proposta é tentar compreender o sentido geral pelo contexto e recorrer à consulta quando uma palavra for realmente importante para o entendimento. Essa prática ajuda a desenvolver autonomia e a lidar melhor com situações nas quais não é possível traduzir cada termo.
Do estudo à vida profissional
A palestra trouxe uma reflexão especialmente relevante para profissionais que desejam ampliar suas possibilidades de carreira. Em um mercado de trabalho cada vez mais conectado internacionalmente, o domínio do inglês pode facilitar o acesso a vagas, projetos e equipes de diferentes países.
Para isso, porém, é necessário ir além do conhecimento teórico e desenvolver a capacidade de compreender informações, expressar ideias e interagir em diferentes situações.
A mensagem que encerrou o primeiro dia do evento foi, portanto, um convite a rever a relação com o aprendizado: definir objetivos, encontrar motivação, praticar com regularidade e ajustar o percurso sempre que necessário.
Conteúdo produzido por Básica Comunicações
Fotos: Marco Antonio Tavares