Começou nesta terça-feira a quinta edição do Data Science Summit Brasil (DSSBR 2026), encontro que reúne especialistas, empresas e profissionais para discutir os avanços da ciência de dados e da inteligência artificial no ambiente corporativo. Realizado no Instituto de Engenharia do Paraná (IEP), o evento segue até quinta-feira (29), com uma programação de 80 sessões, mais de 50 palestrantes e representantes de mais de 40 empresas.
Com o conceito “For & by the AI industry” (pela e para a indústria de IA), o congresso propõe discutir como a inteligência artificial pode deixar a fase de experimentação e ser incorporada às operações das empresas, com aplicações concretas e resultados mensuráveis. Entre os temas da programação estão IA agêntica, arquitetura e governança de dados, segurança, computação em nuvem, soluções AI-native, computação quântica e retorno sobre o investimento.
A solenidade de abertura contou com pronunciamentos de representantes das instituições envolvidas na realização do encontro. O presidente do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP), Eng. Eletricista Nelson Luiz Gomes, deu as boas-vindas aos participantes e destacou a importância de receber novamente o congresso, que integra as comemorações do centenário da instituição. Segundo ele, a expectativa é que os três dias de programação contribuam para ampliar o conhecimento e a experiência dos participantes em inteligência artificial.
Gomes também ressaltou a abrangência nacional do IEP, que reúne cerca de 4.400 associados distribuídos por 22 estados brasileiros, e destacou a contribuição do evento para as discussões sobre o futuro do trabalho e da tecnologia.
Na sequência, Fernando Misato, presidente da Sociedade dos Usuários de Tecnologia do Paraná (Sucesu-PR), enfatizou a importância do compartilhamento de conhecimento entre empresas e profissionais. Para ele, a cultura de dados é a base para o desenvolvimento das soluções tecnológicas que vêm transformando as organizações.
O organizador do Data Science Summit, Alessandro Binhara, por sua vez, destacou a dimensão colaborativa do encontro e a importância de criar relacionamentos e experiências entre os participantes. Com atuação na área de engenharia de dados desde 2008, ele ressaltou que o congresso também é uma oportunidade para aproximar pessoas e estimular a troca de conhecimentos entre diferentes setores.
IA Castrolanda
O especialista em inteligência artificial da Castrolanda, Wesley Golenia, foi o primeiro a palestrar apresentando a evolução da Lana, solução desenvolvida pela cooperativa para apoiar atividades internas, facilitar o acesso à informação e ampliar a produtividade dos colaboradores.
Golenia destacou a dimensão da operação da Castrolanda, que registrou faturamento de R$ 6,5 bilhões em 2025. Segundo ele, a complexidade de uma organização desse porte, com diferentes áreas, processos e grandes volumes de dados, cria oportunidades para o uso estratégico da inteligência artificial.
O projeto da Lana começou de maneira simples, dentro da área de dados. A necessidade inicial era facilitar a produção de documentação técnica, uma atividade que consumia tempo da equipe. A partir dessa dificuldade, Golenia desenvolveu um chatbot integrado às ferramentas utilizadas no trabalho. Com o avanço dos testes, percebeu que a solução poderia assumir outras funções, como a integração com sistemas de chamados e o acesso a informações institucionais.
O interesse de outros departamentos impulsionou a expansão do projeto. Para tornar a ferramenta mais próxima dos usuários, a equipe criou uma persona e adotou o nome Lana. O que começou como uma iniciativa pontual passou a se transformar em uma solução corporativa, com diferentes possibilidades de integração e aplicação.
Escala, segurança e governança
Com a ampliação do número de usuários, surgiram desafios relacionados à infraestrutura, à segurança da informação e à governança. Segundo o especialista, a hospedagem inicial nos servidores da área de dados apresentou limitações diante do aumento das requisições simultâneas, levando à adoção de hardware específico para sustentar a operação.
Outro ponto destacado foi a proteção de informações sensíveis. Como os usuários poderiam inserir dados confidenciais nas interações com a inteligência artificial, a equipe implementou mecanismos para mascarar essas informações antes do envio.
A produtividade também passou a ser uma preocupação. De acordo com Golenia, o uso da IA nem sempre se traduzia em ganhos efetivos, embora os custos continuassem aumentando. Paralelamente, a criação de pequenos sistemas independentes por diferentes usuários gerava fragmentação e dificultava a governança das soluções.
Para enfrentar esses problemas, a Castrolanda investiu em treinamento contínuo, aprimoramento da qualidade dos dados e criação de mecanismos de governança. A cooperativa desenvolveu pipelines para melhorar a qualidade das informações antes de disponibilizá-las à inteligência artificial e estabeleceu um repositório no qual os usuários podem criar microssistemas de maneira mais segura e controlada.
O treinamento é obrigatório para os colaboradores que desejam utilizar a Lana. A solução também está conectada a um sistema de análise de compliance, conforme explicado durante a palestra, e foi concebida para se integrar a diferentes sistemas corporativos.
De 21 a 700 usuários
A expansão da base de usuários foi um dos indicadores apresentados por Golenia para demonstrar a evolução do projeto. Segundo os números compartilhados na palestra, a Lana passou de 21 usuários em junho para aproximadamente 700 usuários no período mais recente apresentado e conta com integrações com tecnologias e plataformas de empresas como Microsoft, Oracle e SAP, ampliando as possibilidades de utilização no ambiente corporativo.
Empresas AI-Native
Na sequência da fala do especialista em IA da Castrolanda, Eder Balbino, CEO da Gaio Data OS, palestrou sobre os avanços da inteligência artificial e seus impactos nas organizações. Com o tema voltado à evolução da IA dos Estados Unidos à China, o executivo destacou o crescimento dos agentes autônomos, da robótica e dos novos modelos de trabalho, ressaltando que o desafio vai além de utilizar ferramentas como chatbots: é preciso preparar as empresas para se tornarem AI-Native.
Balbino enfatizou que os dados são fundamentais para o sucesso da inteligência artificial nas empresas. Sem informações estruturadas e conhecimento sobre os processos internos, os sistemas tendem a oferecer respostas genéricas, distantes das necessidades reais dos negócios.
A apresentação também mostrou, por meio de vários cases, a transformação do trabalho com agentes de IA, capazes de executar tarefas, organizar processos e apoiar a resolução de problemas. Segundo o executivo, a responsabilidade por esses agentes deve estar ligada às áreas de negócio e aos profissionais responsáveis pelos resultados, e não apenas à tecnologia da informação.
Outro ponto de destaque foram os desafios éticos e de segurança relacionados ao avanço da inteligência artificial, especialmente diante de seu potencial de uso indevido. “É preciso ter controle e governança no uso da ferramenta”.
Balbino ressaltou ainda que a criatividade e a capacidade de adaptação dos brasileiros representam oportunidades para acompanhar essa transformação global. “O futuro da IA não está apenas na adoção de novas ferramentas, mas na transformação dos processos, na organização dos dados e na integração entre pessoas e agentes inteligentes, para gerar resultados concretos e responsáveis”.
Conteúdo produzido por Básica Comunicações
Fotos: Marco Antonio Tavares