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Cobertura 28 de outubro de 2026

Dados bem estruturados são essenciais para transformar investimentos em IA em resultados

Alex Assis, fundador e CTO da KXC Tecnologia, palestra no DSSBR 2026

Antes de escolher um modelo de inteligência artificial, é preciso garantir que os dados que vão alimentá-lo sejam confiáveis, seguros, organizados e relevantes. Essa foi a principal mensagem de Alex Assis, fundador e CTO da KXC Tecnologia, na palestra que abriu o primeiro dia do Data Science Summit Brasil 2026.

Para ilustrar o desafio enfrentado pelas empresas, o palestrante propôs uma comparação com a experiência em um restaurante de alto padrão: quem escolheria novamente um prato bonito, mas que teve um gosto ruim? A partir da reação da plateia, Assis traçou um paralelo com os projetos de tecnologia que prometem resultados, mas não entregam o valor esperado.

Plateia lota o auditório do Instituto de Engenharia do Paraná na palestra de Alex Assis no DSSBR 2026

Segundo ele, muitas organizações investem em inteligência artificial sem estabelecer as condições necessárias para que as soluções funcionem. Um exemplo recorrente é o desenvolvimento simultâneo de projetos isolados em diferentes departamentos, como assistentes virtuais para o marketing e ferramentas de resumo de documentos para o jurídico. Sem uma estratégia integrada, essas iniciativas podem consumir recursos sem alcançar os resultados esperados.

O palestrante citou dados que, segundo sua apresentação, demonstram a distância entre a adoção da IA e a obtenção de resultados concretos. Para ele, o desafio não está apenas em incorporar a tecnologia, mas em prepará-la para atender às necessidades reais do negócio.

Quatro causas do insucesso

Na avaliação de Assis, quatro fatores ajudam a explicar por que tantas iniciativas de inteligência artificial não atingem seus objetivos.

O primeiro é tratar a infraestrutura tecnológica, especialmente a hospedagem em nuvem, apenas como despesa, sem avaliar o custo total da operação. Segundo ele, estudos de migração podem revelar oportunidades de economia, inclusive pela identificação de custos menos evidentes dos data centers próprios, como energia e manutenção de hardware. A KXC, de acordo com o palestrante, já identificou reduções de até 40% nos custos em projetos de migração para a nuvem.

O segundo fator é a falta de protagonismo da tecnologia nas decisões estratégicas. Assis defendeu que a área de TI precisa participar da definição dos objetivos do negócio, e não atuar somente como suporte. Nesse contexto, destacou o papel do Chief Technology Officer (CTO) na transformação dos investimentos tecnológicos em resultados, na expansão das operações sem aumento desproporcional dos custos e na adoção responsável da IA.

O terceiro problema é a crença de que a escolha de um modelo de inteligência artificial, por si só, resolverá os desafios da empresa. Para o palestrante, o modelo é apenas uma parte da solução. Sem dados adequados e uma aplicação alinhada ao problema que se pretende resolver, a tecnologia não entrega todo o seu potencial.

A quarta causa é a pressa. A pressão para implementar soluções rapidamente pode levar as organizações a pular etapas importantes de planejamento, preparação e validação.

Alex Assis no palco do DSSBR 2026, diante do slide com resultados de IA da Casas Bahia

As consequências de uma base inadequada

Essas falhas podem gerar informações incorretas em larga escala, custos maiores do que o previsto e problemas identificados pelos clientes antes mesmo de a própria empresa perceber que algo está errado.

Em aplicações de atendimento, por exemplo, uma solução de IA que fornece respostas equivocadas pode comprometer a experiência do cliente e afetar a confiança na organização. Por isso, Assis ressaltou que a preparação dos dados deve anteceder a escolha do modelo e o desenvolvimento da aplicação.

Embora os dados sejam frequentemente comparados ao petróleo, o palestrante chamou a atenção para um ponto fundamental: eles só se tornam um ativo quando são organizados e tratados de forma adequada.

Metodologia dos 6 Cs

Como caminho para melhorar a qualidade dos dados e criar condições para projetos de IA mais eficientes, Assis apresentou uma metodologia estruturada em seis pilares: conexão, controle, contexto, custo, cibersegurança e conformidade.

Ao concluir, Assis reforçou que o sucesso da inteligência artificial depende de decisões que vão além da tecnologia escolhida. É necessário integrar dados, governança, segurança e objetivos de negócio para que os investimentos se traduzam em benefícios concretos.

Conteúdo produzido por Básica Comunicações
Fotos: Marco Antonio Tavares

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